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quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

GK Per em evento de outburst

A Nova N Per 1901, hoje nomeada de GK Per está passando por um evento de outburst. O Atual evento é o primeiro desde 2018 e observações devem ser iniciadas imediatamente e devem durar, pelo menos, 30 dias após a estrela retornar ao seu brilho usual. Observações de todos os tipos, inclusive visuais, são encorajadas.

A estrela se encontra atualmente na magnitude 10.8, portanto, observável somente com telescópios de preferência com aberturas acima de 114mm. A curva de luz da banda V e Visual pode ser conferida logo abaixo:

Curva de luz de GK Per cobrindo os últimos 02 anos. O atual evento de outburst pode ser visto à direita. Cortesia: Software VStar - AAVSO.

Também foi plotada uma curva de luz cobrindo todas as observações enviadas à AAVSO desde o evento de Nova em 1901:

Curva de luz de todas as observações da estrela. Cortesia: Software VStar - AAVSO.

Durante o evento de 1901 GK Per atingiu magnitude visual de 0.0, facilmente observável a olho nu. Para se ter uma idéia, a estrela atingiu magnitude semelhante a da estrela Vega em poucos dias. Como a estrela se situa na magnitude média de 13, o evento de 1901 teve um aumento de brilho de aproximadamente 149.011 vezes.

Desde o ano 2000 a estrela apresentou 07 eventos semelhantes ao atual, com duração e intervalo entre os outbursts também variáveis. Alguns duraram 100 dias e intervalos podem ultrapassar 03 anos.

As observações devem ser enviadas à AAVSO:

https://www.aavso.org/webobs

E também à U.B.A.:

https://forms.gle/oC5HjgLeDzaHde5u5

Referência:

https://www.aavso.org/aavso-alert-notice-807

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Telescópios Espaciais em Operação - Quantos são? Para que servem?

 Telescópios Espaciais em Operação

Quantos são? Para que servem?

O telescópio espacial Hubble (HST) foi lançado na órbita da Terra em 24 de abril de 1990. O telescópio Spitzer, irmão infravermelho do Hubble, comemorou em 25 de agosto de 2022 o seu 19º aniversário no espaço. Vários observatórios de raios-X, incluindo o Chandra X-ray Observatory (lançado em 23/7/1999), o XMM-Newton (de 10/12/1999) e o Nuclear Spectroscopic Telescope Array (ou NuSTAR, lançado em 13/6/2012) também estão a examinar o céu a partir de suas órbitas no espaço. Há pouco mais de um ano (25/12/2021), a NASA lançou o Telescópio Espacial James Webb (JWST) para orbitar o Sol a cerca de 1,6 milhão de quilômetros, em um ponto do Sistema Solar conhecido como segundo ponto de Lagrange, ou L2.

Mas, são apenas esses os telescópios espaciais em atividade? 

Qual é a necessidade e quais são as vantagens de se colocar um telescópio no espaço? 

Qualquer tipo ou tamanho de telescópio pode ser colocado no espaço?

Bem, como veremos, colocar um telescópio no espaço tem suas limitações e suas dificuldades. Para começar, não pode ser muito grande pois tem de caber dentro do foguete que o lança. Nossa capacidade de repará-lo também é limitada, se algo der errado. E, por último, para dizer o óbvio, é tudo muito caro, complexo, demorado. Então, por que fazemos isso?

Bem, o principal objetivo ao se colocar telescópios no espaço é a eliminação dos problemas causados pela instabilidade ou opacidade da atmosfera terrestre, de forma a obter uma visão mais límpida dos objetos astronômicos. Nossa atmosfera age como um escudo protetor, deixando passar apenas uma parte da energia eletromagnética. Na maioria das vezes isso é vital para os seres vivos. Nenhum nível de FPS (Fator de Proteção Solar) poderia nos proteger se fôssemos bombardeados por raios-X de alta energia, ou raios gama, sempre que deixássemos o abrigo das nossas casas ou locais de trabalho. Mas, essa proteção nos atrapalha quando queremos coletar essas formas de energia para estudos terrestres. É aí que as vantagens dos telescópios espaciais justificam a complexidade e o elevado custo dos seus projetos, construções, lançamentos para o espaço e operação continuada.

A figura a seguir mostra a amplitude espectral das radiações eletromagnéticas para os comprimentos de onda entre 0,1 nm e 1 km de comprimento, assim como as regiões desse espectro bloqueadas total ou parcialmente pela atmosfera da Terra. Percebe-se que muito pouco da energia eletromagnética chega aos telescópios localizados na superfície terrestre. Já para os telescópios espaciais, toda a ampla gama de comprimentos de onda pode ser detectada, bastando que se disponha de sensores adequados.

                     

Mas, quantos são os telescópios espaciais em operação? A quais finalidades se prestam? Quantos telescópios espaciais já cumpriram suas missões e encerraram suas atividades?  Qual foi o legado desses instrumentos? O que acontece com os telescópios espaciais quando são desativados?

Neste artigo, e em postagens subsequentes nas próximas semanas, as respostas a essas e outras perguntas serão postadas aqui. Os telescópios que se encontram operacionais serão apresentados de acordo com suas características e seus objetivos, com especial atenção para aqueles que produzem dados de interesse para os observadores de estrelas variáveis, ou que podem precisar de uma mãozinha dos astrônomos amadores e seus pequenos telescópios terráqueos.

Em um artigo a ser postado mais adiante, os telescópios já desativados serão apresentados, assim como os seus principais legados.

Por hora, bastará mencionar que os equipamentos ativos, projetados e já aposentados podem ser classificados de acordo com as faixas espectrais nas quais os seus sensores de radiações eletromagnéticas são úteis. Assim, podemos listá-los como Telescópios para Detecção de:

  • Raios Gama
  • Raios X
  • Radiação Ultravioleta
  • Luz Visível
  • Radiação Infravermelha
  • Microondas
  • Ondas de Rádio
  • Ondas Gravitacionais
  • Partículas e Raios Cósmicos

Alguns telescópios espaciais servem a vários propósitos, em razão de operarem em diversas faixas espectrais. É o que veremos neste início de 2023.

Até a próxima e afivelem os cintos que a viagem será longa!

Fotometria de Alpha Orionis: Uma análise de 23 anos de dados observacionais

Betelgeuse (ou Alpha Orionis) é uma estrela de cor avermelhada, situada na constelação de Órion (AR: 05h 55m 10,31s/ DEC: +07° 24′ 25,43″), tem uma magnitude que varia entre 0.00 e 1.60 em um período aproximado de 430 dias. É considerada uma estrela variável semirregular, ou seja, uma estrela que varia seu brilho com certa periodicidade, mas em contra partida, apresenta uma amplitude variável, ciclos de diferentes comprimentos, com períodos sem variabilidade ou com variabilidade irregular.

Imagem direta da estrela alpha Ori
Crédito da imagem: Xavier Haubois ( Observatório de Paris ) et al.

Pesquisadores japoneses publicaram um artigo em novembro de 2022, mostrando um levantamento fotométrico de Betelgeuse em um intervalo de 23 anos. A análise começou a ser feita com os dados de 1999 e se encerrou com os dados de 2022. A equipe observou a estrela durante esse tempo do observatório privado Ogane Hikari Observatory, localizado na cidade de Kokubunji, Tokyo, Japan. O observatório fez observações ao longo de 572 noites e em 17 dessas, foi realizada a estimava fotométrica duas vezes na mesma noite. 

As observações renderam dados em diversas bandas de cores (UBVRI), como no ultravioleta. azul, visual, vermelho e infravermelho, assim sendo, foi possível fazer uma análise fotométrica completa da estrela. Além disso, por se tratar de uma estrela muito brilhante, a equipe utilizou de um fotodiodo para realizar uma observação fotoelétrica de canal único e pelo mesmo fator, o método de fotometria utilizado não foi o diferencial (em que se utiliza de estrelas de comparação ao entorno da estrela alvo), pois não se tinha nenhuma estrela no mesmo campo de visão com características de cor e de brilho (índice B-V) compatíveis. O método all-sky (Henden & Kaitchuck, 1982) foi o escolhido por permitir fazer a fotometria utilizando estrelas de uma área maior do céu e com estrelas não variáveis com magnitudes maiores que 4.5 mag. Os pesquisadores utilizaram 83 estrelas de comparação, sendo 12 dessas escolhidas para a fotometria a cada noite de observação. 

O artigo conclui que a estrela teve vários comportamentos ao longo desse período de observação, mas claro, o mais importante deles foi o Grande Escurecimento, no fim de 2019 e no inicio de 2020. Nesse comportamento em especifico, os pesquisadores ressaltam que a estrela apresentou um aumento no índice de cor U-B que reflete não somente uma temperatura efetiva ou extinção, mas também uma atividade cromosférica na estrela.

Os dados analisados e a variação nos índices de cores mostram que antes do Grande Escurecimento de Betelgeuse, a estrela apresentou uma forte atividade cromosférica em meados de 2019 até o fim do ano. Em seguida, a estrela teve um aumento na extinção (diminuição da luz da estrela por vias de material interestelar) e teve seu máximo atingido em fevereiro de 2020. E por fim, a estrela teve uma diminuição na sua temperatura até metade de 2020, atingindo seu mínimo após o Grande Escurecimento.

Betelgeuse é um alvo perfeito para novos observadores entrarem no mundo das estrelas variáveis. Depois de tal atividade que foi midiaticamente acompanhada por vários canais, a estrela é fácil de ser encontrada e bem localizada na constelação de Órion. Ela deve ser observada no inicio do ano de 2023, pois é esperado que a estrela apresente mais uma diminuição de seu brilho e observações de todos os tipos (visuais, fotométricas e espectroscópicas) são requisitadas da estrela. Pensando nisso, a Comissão de Estrelas Variáveis da UBA cria a campanha de observação de Betelgeuse já iniciando nos primeiros dias de 2023 visando acompanhar todo o processo de queda de brilho e aumento posterior.

Para observá-la, a carta estelar da região pode ser encontrada abaixo ou criar o seu próprio no site da aavso:

Gráfico da estrela Betelgeuse

O reporte das observações pode e devem ser enviados para o formulário da própria comissão e para o banco de dados da AAVSO, listados abaixo:

Reporte suas observações para a nossa comissão aqui.

Reporte suas observações para a AAVSO aqui.

Caso haja necessidade de maiores informações sobre observações e outras, entre em contato com os membros da comissão ou leia o Manual de Observação Visual de Estrelas Variáveis da AAVSO disponível abaixo:

Manual de observação visual de estrelas variáveis

Link do artigo descrito: https://arxiv.org/abs/2211.04512


Por Eurimar Araújo

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Gaia Vari - versão de teste do projeto de ciência cidadã disponível

A equipe da missão GAIA que está realizando um censo da nossa galáxia, e um pouco além, disponibilizou recentemente a versão de teste do projeto "Gaia Vari".

No último lançamento de dados foram informadas à comunidade mais de 11 milhões de novas estrelas variáveis, a maioria foi classificada com base em algoritmos. Como o processo automatizado não é totalmente perfeito, erros podem acontecer. E é aqui onde começamos a contribuir.

A classificação humana é útil na revisão de classificações automatizadas, buscando características que possam ter passado despercebidas pelo computador, como curvas de luz, localização no Diagrama HR e índice de cor.

Para classificar a estrela alvo o voluntário deverá somente selecionar o tipo de variabilidade apresentada com base nas opções à direita da tela.

No projeto, você classificará os objetos dos tipos de variabilidade escolhidos:

Sistemas Binários Eclipsantes (ECL):

Pulsadores Tipo Cefeida (CEP):


Pulsadores tipo RR Lyrae (RR):


Estrelas variáveis ​​de longo período (LPV):

O voluntário pode também verificar a posição no Diagrama HR e o índice de cor no gráfico que apresentado durante a classificação e conferir se realmente é uma estrela pertencente tipo suposto:

Uma informação adicional apresentada é a posição da estrela na galáxia com base nos dados levantados pela missão:

A última opção de classificação é "Nenhuma das acima" (None of the above) e deve ser selecionada quando a estrela apresentada nos dados não condiz com as quatro opções de variabilidade disponíveis, como mostrado abaixo. A variável analizada é uma elipsoidal.

Para facilitar o processo a equipe disponibiliza um tutorial e um guia de campo com informações úteis sobre os diferentes tipos de variáveis e auxílios referentes à classificação.

O projeto conta atualmente com 1335 curvas de luz disponíveis e somente 30 voluntários. Sendo assim, incentivamos a todos os interessados a contribuir e desejamos boa sorte em futuras descobertas.

O projeto pode ser acessado na plataforma Zooniverse através do link:

https://www.zooniverse.org/projects/gaia-zooniverse/gaia-vari





quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Transiente AT 2022cmc revelado como raro evento de ruptura de maré

O universo pode ser um lugar violento. As estrelas morrem ou colidem umas com as outras e os buracos negros devoram tudo o que se aproxima demais. Esses e outros eventos produzem flashes de luz no céu noturno que os astrônomos chamam de transientes. A Zwicky Transient Facility é atualmente uma das maiores pesquisas transitórias que os astrônomos usam para estudar o universo em constante mudança. A pesquisa também é um tesouro de eventos raros, estranhos e incomuns que muitas vezes os astrônomos descobrem por acaso.

Astrônomos da colaboração Zwicky Transient Facility observaram um “almoço” cósmico verdadeiramente raro – um buraco negro supermassivo devorando uma estrela próxima e liberando jatos poderosos no processo. Apelidada de AT2022cmc, esta descoberta foi feita durante a análise dos dados de pesquisa da ZTF usando um novo método projetado para alertar os astrônomos sobre tais eventos raros quase em tempo real.

AT2022cmc é um caso peculiar do que é conhecido como evento de ruptura de maré ou TDE. Os TDEs acontecem com uma estrela que se aproxima de um buraco negro e é violentamente dilacerada pelas forças gravitacionais de maré do buraco negro - semelhante à forma como a Lua puxa as marés na Terra, mas com maior força. Então, pedaços da estrela são capturados em um disco girando rapidamente orbitando o buraco negro. Finalmente, o buraco negro consome o que resta da estrela condenada no disco.

O evento de dispersão de maré AT2022cmc foi observado pela primeira vez nos dados ópticos da ZTF e foi seguido por 21 outras instalações astronômicas que o viram brilhar em raios-X, UV, infravermelho e rádio. Crédito da imagem: Zwicky Transient Facility/R.Hurt (Caltech/IPAC).

“Nossa nova técnica de pesquisa nos ajuda a identificar rapidamente eventos cósmicos raros nos dados de pesquisa da ZTF. E como o ZTF e as próximas pesquisas maiores, como o LSST de Vera Rubin, examinam o céu com tanta frequência, agora podemos esperar descobrir uma riqueza de eventos cósmicos raros ou não descobertos anteriormente e estudá-los em detalhes ”, diz Igor Andreoni, um associado de pós-doutorado no Departamento de Astronomia da UMD e NASA Goddard Space Flight Center.

O novo método de processamento de dados - equivalente a pesquisar um milhão de páginas de informações todas as noites - permitiu que Andreoni e seus colegas conduzissem uma análise rápida dos dados da ZTF e identificassem o AT2022cmc TDE com jatos relativísticos. Eles rapidamente iniciaram observações de acompanhamento que revelaram um evento excepcionalmente brilhante em todo o espectro eletromagnético, desde os raios-X até o milímetro e o rádio.

“A última vez que os cientistas descobriram um desses jatos foi há mais de uma década”, disse Michael Coughlin, professor assistente de astronomia na Universidade de Minnesota Twin Cities e co-líder do estudo. “A partir dos dados que temos, podemos estimar que jatos relativísticos são lançados em apenas 1% desses eventos destrutivos, tornando o AT2022cmc uma ocorrência extremamente rara. Na verdade, o flash luminoso do evento está entre os mais brilhantes já observados.”

Impressão artística do evento de distribuição de maré AT2022cmc Crédito da imagem: ESO/M.Kornmesser

Antes do AT2022cmc, apenas alguns possíveis TDEs de jato eram conhecidos, descobertos principalmente por missões espaciais de raios gama, que detectam as formas de radiação de alta energia produzidas por esses jatos. Com seu novo método, os astrônomos agora podem procurar esses eventos raros em pesquisas ópticas terrestres.

O AT2022cmc foi observado por 21 instalações astronômicas em todo o mundo. Estes incluem o Telescópio Samuel Oschin Palomar de 48 polegadas (Zwicky Transient Facility), Telescópio Liverpool, Telescópio Blanco, Telescópio GROWTH-India, Telescópio Muito Grande, Telescópio Óptico Nórdico, Matriz Muito Grande, Matriz Submilimétrica, Matriz Estendida de Milímetro do Norte, Telescópio James Clerk Maxwell , Telescópio de rádio gigante Metrewave atualizado, Telescópio Palomar de 60 polegadas, Telescópio Hale Palomar de 200 polegadas, Sistema de último alerta de impacto terrestre de asteroides, Gran Telescopio Canarias, Observatório de Calar Alto, Observatório WM Keck, Observatório Gemini, Observatório Neil Gehrels Swift, Estrela de nêutrons Interior Composition Explorer e Telescópio Espacial Hubble.

Referêcias:

https://www.wis-tns.org/object/2022cmc

Andreoni, I., Coughlin, M.W., Perley, D.A. et al. A very luminous jet from the disruption of a star by a massive black hole. Nature (2022). https://doi.org/10.1038/s41586-022-05465-8


sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Descoberta de uma provável Nova na galáxia M81

Em reporte publicado no "The Astronomer's Telegram" em 08/11 a Colaboração de Monitoramento de Nova em M81 informou à comunidade astronômica a descoberta de um Transiente Astronômico na galáxia M81 em um quadro CCD não filtrado de 10920s adicionado em 2022 novembro 8.128 UT com o telescópio de 0,65 m em Ondrejov.

As coordenadas do objeto, designado de PNV J09555718+6901011 são RA = 9h55m57s.18 e Dec = +69°01'01".1, ver imagem abaixo:

Posição da provável Nova em M81. Gerado no Aladin V12.0

Os pesquisadores informaram no reporte que o a região foi fotografada na madrugada de 03/11 e a magnitude observada foi de <21.2. O transiente foi fotografado na madrugada do dia 08/11 com magnitude de 19.6.

Possível Nova registada em 08/11. Créditos na referência.

Sobre o telescópio utilizado, os astrônomos informam que: "O OND 0,65-m é um telescópio refletor no observatório Ondrejov operado em conjunto pelo Instituto Astronômico do ASCR e o Instituto Astronômico da Universidade Charles de Praga, República Tcheca. Ele usa uma câmera CCD Moravian Instruments G2-3200 MkII (com um sensor Kodak KAF-3200ME e filtros fotométricos padrão BVRI) montada no foco principal. A fotometria OND não filtrada foi calibrada contra estrelas de comparação de banda R de Perelmuter & Racine (1995)."

Fotometria e espectroscopia de acompanhamento deverão ser feitas para comprovar o evento, classe espectroscópica e taxa de declínio, caso seja confirmada como Nova.

Referência:

https://www.astronomerstelegram.org/?read=15747

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Nota de Pesar - Robert Evans


Viemos através deste artigo informar a comunidade astronômica brasileira o falecimento ontem do astrônomo australiano Robert Evans.
Robert Evans e seu dobsoniano utilizado por anos.

Robert Evans foi um astrônomo visual extraordinário. Seu trabalho na descoberta de supernovas é incomparável, tendo descoberto 42 supernovas visualmente e outras 5 a partir de fotografias, um recorde que dificilmente será superado.

Começou a caçar supernovas por volta de 1955, mas seu primeiro instrumento adequado, um telescópio newtoniano de 10 polegadas (25 cm) foi montado apenas por volta de 1968. Ele fez sua primeira descoberta oficial de supernovas (SN) em 1981. Em 1986 dos 13 SN descobertos visualmente, 11 foram encontrados por Bob. Naquela época, Bob observou que uma vantagem da observação visual era a possibilidade de notificação imediata de descobertas – como é verdade hoje. Muitas de suas detecções foram feitas antes da luz máxima, onde o tempo é muito "essencial", para dar aos observatórios profissionais a chance de fazer suas melhores pesquisas.

Enquanto morava em Coonabarabran, Nova Gales do Sul, ele usou seu próprio telescópio de 16 polegadas (40 cm). Do início de 1995 a meados de 1997, ele também teve acesso limitado ao Telescópio Siding Spring de 40 polegadas (1,0 m) no Siding Spring Observatory, resultando em cerca de 10.000 observações de galáxias, outras três descobertas visuais de supernovas e quatro supernovas adicionais detectadas em fotografias feitas no observatório. Para um astrônomo amador, ter acesso a telescópios profissionais é uma rara honra, mas Robert era um amador raro e talentoso. Alguns disseram que ele possuía habilidades de observação sobrenaturais, na realidade ele trabalhava muito estudando e memorizando fotografias de centenas de galáxias e passava horas todas as noites observando. Ele se tornou extremamente bom nisso.

Em 2001, ele havia feito 33 descobertas visuais e até o final de 2005, apesar da crescente concorrência de telescópios automatizados, o número total já havia aumentado para 40 descobertas visuais de supernovas mais um cometa. Em 2005, Evans confiou quase exclusivamente em seu Dobsoniano de 31 cm. Ele relatou 6.814 observações de galáxias em um período de 107 horas e 30 minutos, espalhadas por 77 noites. Durante esse tempo, ele encontrou quatro supernovas; três já haviam sido descobertos por outros, o quarto era SN 2005df, que foi a terceira descoberta de supernova de Evan em NGC 1559 (depois de SN 1984J e SN 1986L) e sua 40ª descoberta visual. A supernova 1983N, descoberta por Evans em 1983 na galáxia M83 muito antes de atingir seu pico, acabou sendo a primeira descoberta de um novo tipo de supernova, mais tarde denominada Tipo 1b.

Evans também apareceu com destaque em A Short History of Nearly Everything, de Bill Bryson, que o cita dizendo: "Há algo satisfatório, eu acho, sobre a ideia da luz viajando por milhões de anos através do espaço e no momento certo, quando atinge a Terra, alguém olha para o pedaço certo de céu e o vê. Parece certo que um evento dessa magnitude seja testemunhado."

Em 1990, tornou-se um administrador do Observatório Linden depois que o Observatório foi deixado sob custódia pelo fabricante de telescópios australiano Ken Beames em 1989 para fins de educação em astronomia. Ele foi o administrador mais antigo, e seu mandato trouxe estabilidade muito necessária ao Observatório e ao trabalho para conservar o local para futuras gerações de astrônomos amadores.

Seu conhecimento do céu e habilidade de usar um telescópio para encontrar e observar galáxias era extraordinário. Suas habilidades como observador visual eram únicas e, nesta era de telescópios e câmeras computadorizadas, talvez nunca haja outro como ele. A comunidade astronômica teve o privilégio de tê-lo como membro, e sua falta será sentida.

Evans faleceu em 8 de novembro de 2022, aos 85 anos, após uma curta doença. Ele deixa esposa e filhos.

Nós da comissão de Estrelas Variáveis manifestamos nosso pesar e direcionamos à família e amigos próximos nossas condolências. 

Descanse em Paz.